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Dr.
David Morton, Médico - Inglaterra
Head Centre for Biomedical Ethics, Division of Primary
Care, Public and Occupational Health, (Director Biomedical Services Unit).
University of Birmingham.
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Você
acredita que o uso de animais durante a educação médica é
indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê? Dr.
Morton: Dependerá das alternativas disponíveis. Deveria haver um
estágio onde se desenvolveria habilidades em objetos inanimados, e então
progredir, se necessário, para animais, mas não há nunca qualquer
necessidade de que estes recubram a consciência, na minha opinião. Que
tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais
durante o treinamento cirúrgico? Dr.
Morton: Existem kits disponíveis no comércio para a prática de sutura e
para a laparoscopia e outros tipos de cirurgia. Costurar cascas de banana
e pedaços de elástico podem ser um começo. Uma alternativa mais
avançada é assistir um cirurgião experiente e gradualmente adquirir as
habilidades necessárias em um certo período de tempo. Que tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na educação médica pode causar ao estudante de medicina? Dr. Morton: Pode fazer com que o estudante não respeite a vida animal, o que pode progredir para o desrespeito à vida humana (veja Kant e outros). A compaixão pelo vulnerável é uma importante qualidade para aqueles que seguirão profissões de cuidados. Cirurgiões
daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que
sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem
universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de
cirurgia. É verdade? Dr. Morton: Existe alguma verdade nisto, mas o estágio acima descrito responde à estas dúvidas (...). Na Inglaterra, desde 1876, e em cada vez mais países do mundo, animais não estão sendo mais usados como eram no passado. Tecidos vivos também podem ser obtidos de animais recém mortos ou de abatedores. É
possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais? Dr.
Morton: Sim, todos cirurgiões britânicos aprenderam sem o uso de
qualquer material vivo de animais. Por acaso pensa-se que na Inglaterra,
Irlanda (e acho que em outros países) arriscaria-se a vida humana pelo
bem dos animais? Se fosse realmente necessário usar animais, assim seria
feito. Você
pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os
estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos
cirúrgicos em seres humanos? Dr. Morton: Na Inglaterra estamos nos afastando do ensino em hospitais para os primeiros socorros. Também temos um programa de 5 anos de treinamento de especialistas após a qualificação como doutor de qualquer disciplina médica de prática geral ou cirurgia. Depois segue um período de aprendizagem por mais 5 anos, de modo que não se possa praticar a cirurgia independentemente até que se tenha, por exemplo, 34 a 35 anos de idade, tendo pelo menos 10 anos de treinamento após a graduação. Realidade
virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações
importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade? Dr.
Morton: Elas podem ajudar no treinamento de estudantes, adquirindo um
amplo campo de experiência (Albeit Virtual), de maneira mais rápida que
a experiência obtida na sala de operações. Entrevista concedida à Thales Tréz em dezembro de 1999 |