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As finalidades do uso didático de animais e as vantagens das alternativasSão várias as finalidades dos experimentos realizados com animais nas universidades brasileiras: -
Observação de fenômenos fisiológicos e comportamentais a partir da
administração de drogas e outras substâncias, Estes
experimentos são comuns em cursos de Medicina Humana e Veterinária,
Odontologia, Psicologia, Educação Física, Biologia, Química,
Enfermagem, Farmácia e Bioquímica, e eventualmente em outras áreas das
ciências biológicas e da saúde. Abaixo
estão descrições breves de alguns dos experimentos mais encontrados nas
universidades. 1.
Miografia:
um músculo esquelético, geralmente o zigomático, na perna, é retirado
da rã, onde estuda-se a resposta fisiológica deste músculo à
estímulos elétricos. As respostas são registradas em gráficos. O
músculo é retirado da rã ainda viva, anestesiada com éter. 2.
Sistema
nervoso:
uma rã é decapitada, e um instrumento pontiagudo é introduzido
repetidamente na espinha dorsal do animal, observando-se o movimento dos
músculos esqueléticos do restante do corpo. 3.
Sistema
cardiorespiratório:
um cão é anestesiado, tem seu tórax aberto, e observa-se os movimentos
pulmonares e cardíacos. Em seguida aplica-se drogas, como adrenalina e
acetilcolina, para análise da resposta dos movimentos cardíacos. Outras
diversas intervenções ainda podem ser realizadas. O experimento termina
com a aplicação de uma dose elevada de anestésico, ou de acetilcolina
(o que causará parada cardíaca). 4.
Anatomia
interna:
diversos animais podem ser utilizados para tal finalidade. Geralmente os
animais já estão mortos, ou são sacrificados como parte do exercício,
com éter ou aplicação intravenosa de substâncias letais. 5.
Estudos
psicológicos:
animais como ratos, porcos-da-índia, ou pequenos macacos, podem ser
utilizados como instrumentos de estudo. São vários os experimentos que
podem ser realizados: privação de alimentos ou água, para estudos
diversos (caixa de Skinner, por exemplo); experimentos com cuidado
materno, onde a prole é separada dos genitores; indução de estresse,
utilizando-se métodos como choques elétricos, por exemplo; comportamento
social em indivíduos artificialmente debilitados ou caracterizados.
Alguns animais são mantidos durante toda sua vida em condições de
experimentos, outros são sacrificados devido à condições extremas de
estresse ou quando não podem mais ser reutilizados. 6.
Habilidades
cirúrgicas:
muitos animais podem ser utilizados para estas práticas. Os animais
geralmente estão vivos e anestesiados, enquanto as práticas se procedem.
Os exercícios de técnica operatória são comuns em faculdades de
medicina veterinária e humana, e exigem uma grande quantidade de animais. 7.
Farmacologia:
geralmente pequenos mamíferos, como ratos ou camundongos. Drogas são
injetadas intravenosa, intramuscular ou diretamente no estômago (via
trato digestivo por catéter, ou por meio de injeção). Os efeitos são
visualizados e registrados. O “diabetes” também pode ser induzido em
animais, de modo a verificar-se os efeitos de substâncias no organismos
destes animais, como a glicose, por exemplo. A Crítica Estas
práticas didáticas vem sendo severamente criticadas por muitos
educadores e profissionais, onde argumentos de ordem ética e, em alguns
casos, técnica, são levantados em favor de uma educação mais ética e
responsável.
A
grande maioria destes experimentos podem ser substituídas por
alternativas tecnológicas que envolvem simulações em computadores (CD Roms),
modelos anatômicos e vídeos interativos. Existe um crescente número de
artigos científicos que comprovam que estudantes que passaram por estas
técnicas aprendem igualmente, e em alguns casos melhor, do que estudantes
que passaram pelo uso tradicional da vivissecção. As vantagens destas
alternativas são muitas: -
Economizam tempo: gasta-se muito tempo com a preparação da
experimentação animal. É comum que experimentos práticos com animais
não dêem certo, ou dão margem à interpretações confusas de certos
fenômenos biológicos. -
Possibilitam
melhor aprendizado: simulações interativas permitem que o estudante
volte atrás em algum passo ou estágio do experimento, o que não é
possível em muitos experimentos in
vivo. Cada estudante pode, desta forma, aprender de acordo com seu
ritmo, e repetir todo o experimento, se necessário. Além do que, esta
tecnologia não cria a dependência do laboratório e de pessoal
especializado para o estudo, permitindo que o estudo seja realizado até
mesmo em casa. Outras muitas informações e recursos ainda podem ser
acessados, dependendo da alternativa utilizada -
São econômicas: ao contrário do que muita gente pensa, as
alternativas são financeiramente viáveis. Isto porque o uso de animais
implica em grandes gastos com manutenção (cuidados, alimentação,
instalações, etc.) e pessoal especializado (técnicos e veterinários),
e as alternativas possuem um tempo de vida muitas vezes indeterminado,
não sendo descartáveis como os animais utilizados. -
São éticas: o oferecimento de alternativas respeita os
princípios éticos, morais ou religiosos de estudantes que se opõem ao
uso de animais para estas finalidades. -
São
possíveis: muitas universidades de muitos países vêm substituindo o
uso de animais nos currículos de diversos cursos e oferecendo
alternativas para os estudantes. As experiências destas universidades
comprovam que a aplicação de alternativas são possíveis e viáveis. Mais do que soluções hi-tech Não
podemos pensar nas alternativas apenas como recursos tecnológicos ou
softwares. Muitas alternativas envolvem a experiência clínica real em
clínicas e hospitais, onde estudam-se em pacientes reais, por exemplo, o
efeito de drogas administradas clinicamente, e acompanha-se o tratamento
destes pacientes até sua recuperação. Outra alternativa, neste caso
para o estudo de anatomia e técnica operatória em animais, é o
convênio de faculdades com fazendas ou clínicas veterinárias, onde
animais mortos podem ser adquiridos para posterior estudo. No
caso da técnica operatória humana, médicos cirurgiões e educadores
questionam o uso de cães para o ensino de cirurgia. Os principais motivos
que levam à este questionamento são as discrepâncias entre a anatomia
humana e a canina, assim como a elasticidade da pele, o coeficiente de
vazão sangüínea
epidérmica e outras características que não se aplicam na cirurgia
humana. Outro ponto importante que se salienta é a dessensibilização
que os estudantes sofrem ao terem que passar por práticas que contrariam
princípios médicos como o de salvar vidas. As alternativas para tais
práticas são o acompanhamento de cirurgias humanas em hospitais e
clínicas, primeiramente com observação, seguida de estágios de
intervenções simples severamente supervisionadas por cirurgiões
experientes, passando para intervenções sucessivamente mais complexas.
Assim se aprende cirurgia em muitos países, como Inglaterra e Estados
Unidos. As alternativas também possuem a vantagem de serem combinadas. As práticas e experiências clínicas podem ser acompanhadas de reforço por alternativas e metodologias diversas, aumentando a experiência do estudante, e contribuindo para formação de um profissional sensível e responsável. |
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