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UFRGS terá novo laboratório de medicina
Educação Espaço permite que alunos treinem cirurgias com peças importadas
JAISSON VALIM (UniversiaBrasil, 24/05/2006)

Estudantes da Faculdade de Medicina (Famed) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) deixarão de lado, nas aulas práticas, as esponjas e os tecidos orgânicos mortos de animais.

A instituição vai inaugurar, em 8 de junho, um novo Laboratório de Habilidades e Técnicas Operatórias, que oferecerá um manequim importado, peças anatômicas e sangue falso para treinamento dos universitários.

O espaço, instalado em uma área de 120 metros quadrados do Hospital de Clínicas, custou R$ 230 mil. Além de contar com o apoio do hospital e da própria universidade, o local se consolidou graças ao Promed, um programa do Ministério da Saúde para incentivo de mudanças curriculares em cursos de Medicina.

- O laboratório será importante para que o aluno tenha um ensino prático mais adequado, que envolve dar um ponto ou fazer a sutura de uma veia, por exemplo - afirma o diretor da Famed, Mauro Czepielewski.

Com o uso de tecidos de porcos e galinhas mortos, os alunos de nono semestre de Medicina e professores correm riscos de acidentes biológicos, explica o chefe do Departamento de Cirurgia, Geraldo Sidiomar Duarte.

Local terá equipamentos de informática e sala de aula

O material também dificulta o aprendizado, o que fazia com que a universidade usasse cachorros vivos até o início da década.

- Professores não queriam dar aula, porque diziam que era insalubre - afirma o professor Paulo Sandler, que lista também argumentos éticos para o fim do sacrifício dos animais durante os ensinamentos.

O espaço não contará apenas com material sintético que imita o tecido humano. O laboratório terá ainda equipamentos de informática e sala para aulas teóricas.

A UFRGS também assinou um convênio com a Universidade de São Paulo (USP) para oferecer ensino à distância aos estudantes de Medicina em outro espaço.

Até julho, a instituição pretende concluir um laboratório de informática que permitirá o acesso ao Homem Virtual da USP - uma gigante biblioteca interativa com as informações atualizadas e completas sobre o assunto.


UFMG SUSPENDE AULA COM ANIMAIS
Aula demonstrativa de fisiologia cardiovascular em cães foi retirada de prática depois de sugestão do comitê de ética.

As aulas práticas de fisiologia, do bloco de cardiovascular, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em que eram utilizados cães como cobaias, foram suspensas por ordem do próprio departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB). Depois de muita pressão de ambientalistas, professores e estudantes para que métodos substitutivos fossem adotados nas aulas práticas de Fisiologia, o Comitê de Ética em Experimentação Animal (CETEA) da UFMG NÃO aprovou o protocolo enviado pelos professores de fisiologia para que a prática fosse regulamentada. Segundo a Médica Veterinária Dra. Cleuza Maria Faria de Rezende, presidente do CETEA, em uma entrevista para o jornal O TEMPO, do dia 25 de maio de 2005, "o experimento não deve ser feito se a informação pode ser obtida por observação". Seguindo este princípio, adotado por comitês de ética de todo o mundo, todas as práticas de disciplinas como fisiologia e farmacologia, devem ser realizadas utilizando métodos substitutivos.

Pesquisas publicadas em revistas científicas e sites na Internet com os mesmos objetivos indicam que os métodos didáticos em que são usados animais se eqüivalem aos vídeos interativos. O artigo lançado por professores do departamento de Fisiologia e Farmacologia da Escola de Medicina Veterinária de Auburn, Alabama, 'A comparison of interactive visdeodisc instruction with live animal laboratories', compara os métodos tradicionais - com uso de cães, ratos e rãs - com o uso de vídeos interativos para estudo de fisiologia cardiovascular. Grupos de estudantes - assistindo às práticas com animais, e outro aos métodos substitutivos como vídeo ou Cdrom - foram avaliados de diversas formas. A conclusão da pesquisa foi que a simulação das práticas em computador ou vídeo são tão eficazes quanto os métodos tradicionais, com uso de animais, sendo que o tempo gasto pelos estudantes que usaram métodos substitutivos foi menor.

Em outra entrevista para o jornal O TEMPO, em 22 de setembro de 2005, a Dra Cleuza Rezende enfatizou que o comitê de ética tem função de regulamentar, conscientizar e educar. Ela espera, naturalmente, que o departamento acate as sugestões.

A prática de fisiologia cardiovascular acontecia há 45 anos na UFMG em cursos das áreas de biomédicas e agrárias. Finalmente, podemos comemorar esta enorme evolução do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB e essa grande conquista do GETEA - Grupo Estudantil pelo Tratamento Ético dos Animais - e de todos os estudantes, professores e ambientalistas de todo o país que, de alguma forma, protestaram e mostraram insatisfação com esses métodos ultrapassados de ensino, adotados pela UFMG. Permanece, assim, ainda mais aflorada, nossa esperança de que, em um futuro próximo, poderemos 'fazer ciência' seguindo o princípio hipocrático da medicina: "Primum non nocere" - primeiro, não cause danos.

GETEA - Grupo Estudantil pelo Tratamento Ético dos Animais


Metodologia de ensino desenvolvida na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP permite que animais sejam poupados com a exibição de cirurgias.
22/06/2005, Por Thiago Romero

Agência FAPESP - A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo (USP) está experimentando uma linha diferente de ensino. Os alunos da unidade conheceram, nesta segunda-feira (20/6), o aprendizado por meio de uma vídeo-aula.

O filme, que será exibido para os alunos do terceiro semestre da disciplina de fisiologia da reprodução e da lactação, mostra uma cirurgia de extração de ovários e testículos de ratos. O vídeo ensina a ação dos hormônios sexuais no organismo dos animais.

“A metodologia vem para se adequar à nova legislação federal, que exige que atividades meramente demonstrativas com animais devam ser substituídas por métodos alternativos”, disse Cláudio Alvarenga de Oliveira, professor do departamento de Reprodução Animal da FMVZ, à Agência FAPESP.

Oliveira explica que, até então, os alunos do terceiro semestre já faziam operações como a que será exibida na vídeo-aula, porém sem estar devidamente preparados. “Agora, o aluno vai assistir o filme e manipular animais mortos. Só em níveis mais avançados eles terão a oportunidade de fazer intervenções cirúrgicas em animais vivos”, explicou.

A previsão é que, com o método, os alunos ganhem tempo para a discussão do conteúdo ministrado. Enquanto o procedimento real demora quatro horas, o vídeo dura 20 minutos. A faculdade também acaba economizando com anestesia e hormônios. O enfoque principal da mudança, segundo Oliveira, é poupar os animais criados em laboratório.

“A utilização racional dos animais, tanto em aulas como em pesquisas, possui uma demanda crescente em todo o mundo. O que está em jogo é o uso consciente visando ao bem-estar animal. Estamos falando em muitos animais, como ratos, camundongos, coelhos, cobaias, macacos e cães”, disse. 


InternicheBrasil lança promoção de distribuição de vídeo sobre alternativas
Início: 10 de Novembro de 2003.

Em parceria com o Comitê de Ética no Uso de Animais da UFSC, a InternicheBrasil lança uma campanha para distribuição de 100 exemplares do vídeo Alternativas na Educação: novos caminhos para um novo milênio. O vídeo, que normalmente é vendido à R$ 25 (sem despesas postais inclusas), será distribuído pelo preço de postagem, via Sedex (normal ou à cobrar) ou Encomenda Registrada. Veja aqui quanto sairia o custo de envio para sua cidade pelos correios (até 1 quilo). Envie seu nome completo, endereço para envio, universidade, ocupação e curso. Oferta válida preferencialmente para estudantes, professores ou membros de comitês de ética.
(a promoção é válida enquanto durar o estoque).
Leia mais sobre o vídeo e saiba como adquirir sua cópia.


Livro sobre alternativas ao uso de animais é lançado pelo Instituto Nina Rosa.
InternicheBrasil, 04 de Novembro de 2003.

De autoria do Biólogo Sérgio Greif, o livro "Alternativas ao uso de animais vivos na educação: pela ciência responsável", de 175 páginas, foi recentemente lançado pelo Instituto Nina Rosa. O livro faz parte do projeto "Educação Livre de Violência", e pode ser adquirido com o próprio instituto.
O livro aborda de forma crítica diferentes aspectos do uso de animais para finalidades didáticas, e traz exemplos de alternativas que podem ser empregadas para que tais práticas sejam abolidas do ambiente educacional. Um livro essencial para quem busca uma educação livre de violência.

O autor também escreveu o livro "A verdadeira face da experimentação animal", com o coordenador da InternicheBrasil Thales Tréz. Maiores informações sobre este livro podem ser adquiridas aqui.


O debate sobre a dissecção animal: A perspectiva de um professor de veterinária sobre métodos alternativos
por Megan Berry - California Aggie News, 11 de março de 2003 - veja matéria original

O uso de animais não humanos para pesquisa e ensino em escolas e  faculdades pelo país vem sendo um grande motivo de debates calorosos.

Nos últimos tempos,  a tecnologia moderna permitiu a implementação de alternativas a vivissecção e disseção, das quais muitas se encontram detalhadas em um novo livro chamado from Guinea Pig to Computer Mouse – a publicação mais compreensiva do gênero no momento.

O livro - lançado pela Animalearn, uma divisão educativa da American Anti-Vivisection Society (AAVS), e produzido pela International Network for Humane Education (InterNICHE) – lista mais de 500 alternativas humanitárias à vivissecção e dissecção.

Entre as alternativas listadas estão descrições detalhadas de métodos e programas acessíveis pela internet, como simulações computadorizadas, vídeos, modelos e atlas de dissecções.

“Tais ferramentas, combinadas com outras abordagens humanitárias, já substituíram o uso prejudicial de animais em muitas faculdades pelo mundo”, disse o coodenador da InterNICHE Nick Jukes, no comunicado de imprensa.

Nedim Buyukmihci, V.D.M., professor de oftalmologia na Faculdade de Veterinária da UC Davis, nos EUA, e presidente da Association of Veterinarians for Animal Rights (AVAR), tem publicado amplamente suas visões sobre o uso de animais para finalidades de ensino.

“Milhões de animais não-humanos morrem a cada ano para esta finalidade”, Buyukmihci escreve em seu artigo The issue of dissection. “A maioria destes animais talvez foram livres (selvagens), e foram retirados de seus habitats naturais, mortos e enviados para muitas instituições. Este tem sido o caso com anfíbios e répteis”.

Buyukmihci também indica os canis e outros negociantes como fontes de animais para muitas práticas na veterinária em seu artigo Non-violence in surgical training, descrevendo os animais nestes casos como “mercadorias descartáveis”.

Um forte proponente de alternativas para o uso de animais em nome da ciência, Buyukmihci diz que as dissecções e vivissecções são geralmente vistas como necessárias para estudantes que procuram seguir uma carreira nas áreas biológicas e médicas. “A dissecção de cadáveres animais (...) parece ser mais um ‘rito de passagem’ do que um eficiente e cientificamente válido método de ensino”, ele diz.

Buyukmihci disse que não existe nenhuma prova documentada que indique que a dissecção ou vivissecção de qualquer forma contribua com a aprendizagem do estudante, e nem mesmo os animais servem como modelos para anatomia humana na área de medicina humana.

O uso de métodos alternativos como programas de computadores e modelos na educação médica e científica oferecem muitos benefícios em relação a métodos convencionais, de acordo com Buyukmihci. “Uma vez que estes materiais não estão associados com os problemas logísticos que o uso de animais acarreta, eles podem ser usados repetidamente pelo estudante, como melhor lhe convier”.

Entre outros métodos alternativos que Buyukmihci cita está o uso de cadáveres de animais que morreram em acidentes ou naturalmente, modelos para treinamento de suturas e incisões, instrumentos visuais como o vídeo, fotografias e esquemas detalhados, modelos e mesmo experimentos nos quais os próprios estudantes são os sujeitos experimentais.

“A morte de animais na educação médica veterinária continua, infelizmente, por conveniência e hábito, e não porque é pedagogicamente necessária”, Buyukmihci afirma.

Ele ainda diz que mudar o status quo é difícil uma vez que muitos estudantes neste país são ridicularizados pelos professores quando objetam ao uso de animais para finalidades didáticas. “Estudantes não podem ser legalmente forçados a matar animais como parte de sua educação. Alternativas humanitárias estão disponíveis e requerem apenas uma mudança de consciência para que comecem a ser utilizadas”.


Uso de cães na faculdade médica da UCSD é debatido
por Cheryl Clark - San Diego Union Tribune, 12 de Fevereiro de 2003 - Veja a matéria original

Dezenas de médicos querem que a faculdade de medicina norte-americana da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) pare de usar cães para estudantes de primeiro ano. Os médicos, alguns renomados em San Diego, dizem que o uso de cães em cursos de fisiologia e farmacologia não ensina nada de novo aos estudantes e, com um gasto médio de U$ 576 por cada cão, é perda de dinheiro.

”Nos opomos ao uso desnecessário de animais”, diz o Dr Lawrence Hansen, professor de neurociências e membro da Doctors Against Dog Labs. Como um instrumento de ensino, “a mesma informação pode ser obtida de um CD ou DVD”, ele afirma.

Falando pela UCSD, o professor de bioengenharia Geert Schmid-Schoenbein defendeu a prática veementemente. Schmid-Schoenbein é membro do comitê de revisão no uso de animais da UCSD.
Ele diz que as simulações de computador não são mais do que belas imagens e simplificações. “Você não voaria em um avião com um piloto que praticou apenas em um simulador”, ele disse.
A UCSD talvez seja a única das 8 escolas médicas na Califórnia que utiliza cães. Embora a Physicians Committee for Responsible Medicine indique que exista este uso na UCSD, UC Irvine e Loma Linda, estas duas últimas confirmaram o abandono de tais práticas.

Funcionários da UCSD dizem que o uso de animais na faculdade médica data de seu início em 1968. De 24 à 56 cães criados para estas finalidades são mortos a cada ano desde 1996, em um total de 334 cães em 8 anos.

Dr. Robert Terry, um pesquisador do mal de Alzheimer aposentado da UCSD, disse ser “cruel” criar cães para tais finalidades. “Eu passei por isso na faculdade anos atrás e odiei a idéia. O uso de cães não ensina nada na carreira de um médico”, ele afirma. Hansen disse que a campanha para acabar com tais práticas começou 5 anos atrás com constantes pedidos à faculdade para mudança curricular. Quando não houve resposta à este pedido no último outono, o grupo decidiu discutir isso publicamente.

Incluem-se na lista de médicos que se opõem ao uso de animais na UCSD a Dra. Carla Stayboldt, ex-chefe de setor no Scripps Memorial Hospital em Chula Vista; o ex-diretor do curso de patologia da UCSD, Dr. Kurt Benirschke; o pesquisador do mal de Alzheimer Dr. Eliezer Masliah, e o Dr. Howard Steinman, ex-chefe na dermatologia do Veterans Affairs Medical Center, em La Jolla.

Os cães são levados à sala de aula já anestesiados e são mortos após uma sessão de 6 horas de treinamento, disse Schmid-Schoenbein e Tony Yaksh, anestesiologista da UCSD, e um dos professores de farmacologia que requer o uso de cães. Na aula de farmacologia, 5 estudantes por cão se revezam inserindo cateteres nas veias,artérias e coração dos animais para observar mudanças na pressão cardíaca e respiração, sob a influência de várias drogas.

Observando funções

Na aula de fisiologia, 10 a 20 estudantes por mesa observam enquanto um cirurgião da UCSD abre o tórax de um cão. Os estudantes observam funções como o batimento cardíaco e fluxo sanguíneo. Os estudantes bloqueiam uma artéria principal para observar uma parada cardíaca, o que às vezes mata o animal. Os cães que sobrevivem sofrem eutanásia.

Funcionários da UCSD dizem que estudantes podem se recusar à aula. De 120 estudantes neste ano, 50 não participaram da aula.
A porta-voz da UCSD, Leslie Franz, disse que os cães são comprados de um criador, ao invés de adquiridos de um abrigo de animais, devido a “muitos anos de protestos agressivos de grupos de direitos animais que não queriam que utilizássemos cães de abrigos”.

Schmid-Schoenbein disse que os cães são saudáveis e não sofrem. “Os cães são mantidos bem melhor nutridos do que os meus próprios cães em casa”, ele disse. 

 

Muitos médicos em outras faculdades apóiam o abandono destas práticas.

A patologista Kim Schlack, do Sharp Memorial, disse que os exercícios de farmacologia envolvem a injeção de epinefrina em cães “apenas para se observar o coração bater mais rápido. Você injeta estas substâncias no animal e observa aquilo que você já sabia o que aconteceria”. Ela disse que tais práticas estão longe da prática médica real.

 

Não em Harvard

Dr. Fred Veretto, interno da Kaiser Permanente, recusou-se a participar de uma aula com cão na UCSD e afirmou que isso “não prejudicou seu treinamento em nada”. Ano passado, Hansen e o Dr. Gerry R. Boss, um professor de medicina da UCSD, publicaram no jornal Academic Medicine (acesse ao abstract aqui), uma pesquisa com 125 escolas médicas. Eles encontraram que 18% dos cursos de fisiologia e 5% dos cursos de farmacologia usam animais vivos. Harvard, Yale e Stanford estão entre as escolas médicas que não usam.

“Se a maioria das faculdades não usam cães desta maneira para treinar médicos, a UCSD não precisaria também”, disse a Dra. Nancy Harrison, patologista do Scripps Memorial Hospital em Chula Vista. Harrison acredita que o uso de cães diminui a compaixão. “Ensinar estudantes a ignorar o sofrimento não pode ajudá-los no tratamento de seus futuros pacientes”, continua.

Funcionários da UCSD discordam, dizendo que as práticas ensinam a ver o paciente como um todo, não apenas como um coração ou um cérebro. Eles ensinam  “a dinâmica da interação de todos estes sistemas simultaneamente”, Yaksh disse.

Os médicos contrários à esta prática pediram ao comitê de reforma curricular a assumir a questão, mas Frank Powell, ex-diretor do comitê, disse que o pedido nunca foi formalmente considerado pois “seria um mau procedimento” mudar a responsabilidade da reforma curricular “da faculdade para a opinião pública”. “As práticas permanecem como uma experiência de aprendizado ativo para complementar e aperfeiçoar os cursos de fisiologia e farmacologia”.

 

Ensinando sem compaixão na UCSD
por Lawrence A. Hansen and Nancy L. Harrison* -
San Diego Union Tribune, 12 de Fevereiro de 2003 - Veja a matéria original

 

É temporada de morte de cães na Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia San Diego (UCSD). Os cães sendo mortos neste inverno foram criados para serem mortos, e viveram em jaulas por suas vidas inteiras.

Sua única saída do canil de criação é uma rápida viagem até o biotério da UCSD. Ali eles serão mantidos até serem vivissectados (i.e. cortados vivos enquanto anestesiados) e mortos após 6 horas de treinamento em cursos de fisiologia e farmacologia do primeiro ano. Este tratamento é necessário na educação médica ou simplesmente uma expressão de indiferença moral ao sofrimento de criaturas próximas?

Centenas de médicos de San Diego, incluindo médicos da própria faculdade, acreditam que o uso destes cães é desnecessário e eticamente injustificável. Formalizamos um pedido contra estas práticas aos departamentos de fisiologia e farmacologia, mas sem resultados.

Somos médicos sérios e competentes, e não extremistas de direitos animais. Sabemos de nossa experiência clínica o que é preciso para se treinar um médico. Somos compassivos, e não sentimentalistas. Gostaríamos que a universidade se abstenha, quando possível, de prejudicar estes animais. Por acaso estaríamos inferiorizando um humano por não abusar de um animal, e que queira que estudantes tenham compaixão à vida?

Pesquisamos todas as 125 escolas médicas nos EUA, e publicamos nossos resultados em um artigo na Academic Medicine, em Novembro de 2002. Descobrimos que 95% das faculdades não matam animais em cursos de farmacologia, e 82% não matam animais em cursos de fisiologia. Se a grande maioria dos cursos podem ensinar tais áreas sem matarem cães, não é necessário que a UCSD o faça. Uma vez que a necessidade é retirada de um mal necessário, tudo o que resta é o mal.

Ao nos opormos ao uso de cães, é importante salientar que eles não preparam o médico para operações em pacientes futuros. As técnicas empregadas na vivissecção não são aquelas que você gostaria que seu cirurgião aplicasse em você. Na verdade, cirurgiões aprendem a operar após longos períodos de residência em hospitais e clínicas, e aprendem sob supervisão cuidadosa ao intervir com pacientes.

Também devemos salientar que o uso de cães não é pesquisa animal. Todos em San Diego desejam encontrar uma cura para o câncer, e muitos de nós utilizaríamos animais para este objetivo. Mas o uso de cães não contribui com novos conhecimentos e nunca contribuirá com a cura do câncer ou qualquer outra doença.

Como sociedade, devemos minimizar o sofrimento animal, para eliminarmos o sofrimento desnecessário. De fato, normativas da Lei de Bem-Estar Animal (Animal welfare Act) enfatizam a substituição de animais em pesquisa e educação por outros métodos quando possível, pois ninguém deseja que animais sofram desnecessariamente.

E ainda assim, o Comitê de Uso Animal da UCSD – responsável pela aprovação de todo uso animal na universidade – conclui que estas práticas não levantam nenhuma questão de bem-estar animal. Assumir que o confinamento e morte destes animais não é uma questão de bem-estar animal é um discurso Orwelliano indigno da Universidade da Califórnia.

A aprovação destas práticas com cães, quando a maioria das faculdades encontraram e aplicaram alternativas, é uma violação da Lei de Bem-Estar Animal. Tal aprovação coloca em risco nossa confiança no Comitê de Uso Animal. Ao recusar-se a distinguir entre o uso necessário de animais na pesquisa, e o uso desnecessário uso de cães na educação, a universidade falta com sua obrigação ética e legal de reduzir, refinar e substituir o uso de animais quando possível.

Se argumentos éticos não são suficientes para o abandono de tais práticas, os gastos e valores educativos invalidados devem ser considerados. Quem gostaria de, com seu imposto, pagar dúzias de cães a U$ 500 cada, ano após ano, quando simulações em computadores são suficientes?

A cada ano, uma minoria compassiva de estudantes de medicina não participam do uso de animais em seus cursos de farmacologia, e suas notas não diferem das dos estudantes que optaram pela vivissecção. Similarmente em fisiologia, comparações entre vivissecções em cães e simulações em computador não revelaram quaisquer vantagem para a metodologia tradicional, e mais estudantes preferem as simulações em computador. Ao contrário dos cães, simulações podem ser compradas apenas uma vez.

Os departamentos de fisiologia e farmacologia da UCSD estão imóveis aos pedidos e a grande maioria das faculdades que ensinam sem matar cães. Os Comitês de Uso de Animais fecham os olhos a normas federais recomendando a substituição de cães por alternativas não-letais. O diretor da Faculdade de Medicina não intervirá pelos cães. A única chance que estes possuem é você, pois, acima de tudo, é você quem paga por eles.

* Hansen é professor de patologia e neurociências na UCSD. Harrison é patologista no Scripps Memorial Hospital em Chula Vista.


Universidade de British Columbia abandona o uso de animais
por Nicholas Read - Vancouver Sun, 24 de Janeiro de 2003 - Veja a matéria original

A faculdade de medicina da Universidade de British Columbia (UBC) anunciou que não utilizará mais animais vivos no currículo de ensino.
A UBC era a última das universidades do Canadá a usar animais vivos para o treinamento de médicos. John Cairns, o diretor da faculdade de medicina, confirmou que as aulas que começam em Setembro próximo não incluirão mais o uso de animais.

Ao invés disso, estudantes utilizarão simuladores, modelos computadorizados e tecido animal obtido de abatedouros. As técnicas cirúrgicas também serão aprendidas em pacientes humanos, em ambiente clínico.

No último outono, estudantes do segundo ano usavam porcos para a aprendizagem de habilidades cirúrgicas, mas foi a última vez, afirma Cairns. "A partir de agora, animais de nenhum outro tipo serão utilzados", afirma o diretor.

Uma pesquisa conduzida no dinal de 2001 pela Physicians
Committee for Responsible Medicine (PCRM), uma organização de médicos baseada em Washington, D.C., mostrou que a UBC era a única, dentre apenas 3 faculdades de medicina existentes no Canadá, que continuava a usar animais em seu currículo educativo.

As outras eram a Memorial University, em Newfoundland, e a University of Western Ontario, em London. Representantes destas faculdades não puderam ser encontrados para comentar a nova mudança na UBC.

Na ocasião, Wes Schreiber, vice-diretor do programa de graduação médica da UBC, disse que a faculdade continuava a usar porcos vivos para ensinar técnicas de esterilização, sutura, aplicação de intravenosa, introdução de tubos torácicos, traqueotomias, linhas arteriais e monitoramento de ritmos cardíacos. Ele afirmou que usavam cerca de 25 animais por ano, e explicou: "Continuamos a usar animais vivos pois eles mimetizam muito melhor os tecidos humanos do que modelos - que são o que as outras faculdades estão usando - e em especial tecidos vivos. Mesmo que seja um tecido animal, é mais semelhante ao tecido humano do que seria um modelo de plástico ou borracha. Desta maneira, é melhor para o aprendizado de técnicas cirúrgicas".

Porém, no dia 23 de Janeiro, Cairns disse que abandonar o uso de animais seria melhor não apenas para os animais, mas para os estudantes também.
"A questão que sempre nos perguntávamos era 'qual a melhor maneira de garantir que os estudantes acessem as informações que precisam?'", diz Cairns. "Ao mesmo tempo que consideramos as questões sociais, precisamos saber que habilidades e informações podem ser adquiridas de outras maneiras".
Cairns disse que vários estudantes estavam reclamando do fato de terem que usar animais vivos em suas aulas. "Não era algo positivo", ele disse. "Preferiríamos não ter nenhum estudante preocupado com qualquer aspecto do programa. Estávamos preocupados em capacitar os melhores médicos possíveis, e esta mudança de forma alguma foge à este objetivo".

O presidente da PCRM, o médico Neal Barnard, disse que a tendência entre as escolas médicas nos Estados Unidos e Canadá é o abandono do uso de animais. Das 126 faculdades de medicina dos Estados Unidos, 92 pararam de exigir o uso de animais, incluindo as famosas Yale, Harvard e Stanford.

"Diria que é uma decisão excelente e apropriada", disse Barnard em relação à decisão da UBC. "Não apenas pelos animais, mas pelos estudantes. A ênfase a partir de agora será na anatomia humana, e como em outras faculdades de medicina que optaram por esta mudança, a qualidade da educação melhorou".

Barnard disse que até meados da década de 80 era comum nas escolas de medicina norte-americanas o ensino de uma variedade ampla de procedimentos médicos em animais vivos. Cães eram os animais mais utilizados, mas na UBC ratos e coelhos também eram comumente usados, disse Cairns. Gatos eram também utilizados, mas apenas depois de serem mortos.

Barnard disse que era costume no passado utilizar um cão para cada 4 estudantes, e para mais de 150 estudantes por classe, em 126 faculdades de medicina nos EUA, a quantidade de cães utilizados chegava aos milhares. "Este não é mais o caso", ele afirma. "A cirurgia é 90% anatomia. É saber onde estão as artérias, os nervos e veias. Se você aprende isso em um porco, pode ser perigoso aplicar isso em uma sala de operações. Usar porcos pode ser bom para veterinários, mas não o torna um cirurgião melhor".

Copyright 2003 Vancouver Sun

» Leia mais sobre a questão do uso de animais para o ensino de técnica cirúrgica na medicina.

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Estudo demonstra um declínio brusco no uso de animais, especialmente cães, na educação médica norte-americana

La Jolla, Califórnia – Um novo estudo da Academic Medicine mostra um declínio contínuo do uso de cães e outros animais em laboratórios de medicina humana. Em cursos de fisiologia, animais vivos eram usados em 39% das escolas médicas norte-americanas em 1994, e caiu para 18% em 2001. Da mesma forma, o uso de animais em cursos de farmacologia caiu de 10 para 5%. O estudo é intitulado “O uso de animais no currículo de escolas médicas norte-americanas: resultados de 2001”.

“Nosso estudo mostra que o uso de animais, especialmente cães, na educação médica tem continuado a decair nos últimos 7 anos desde o primeiro levantamento publicado”, diz o autor Dr. Larry A. Hansen, professor da Universidade de San Diego, Califórnia. “Muito do ímpeto de substituir o uso de animais em laboratórios por alternativas não-letais vem de uma geração de estudantes de medicina com uma empatia maior pelo sofrimento dos animais. Alternativas hi-tech, como simulações por computadores e vídeos, são bem aceitas por professores e estudantes”.

A maioria das escolas médicas norte-americanas (68%) não usam animais em cursos de farmacologia, fisiologia ou cirurgia, e quando usados, a participação do estudante na prática é geralmente optativa.

Para uma entrevista com o Dr. Hansen, também membro do Comitê Médico pela Medicina Responsável (PCRM), ou uma cópia do estudo, contate Jeanne S. McVey: jeannem@pcrm.org (em inglês, por favor)

Fundada em 1985, a PCRM é uma organização de saúde sem fins lucrativos dedicada a promover a medicina preventiva e melhorar os padrões de pesquisa, prática e educação médica.

» Veja aqui a lista de faculdades médicas norte americanas que não utilizam animais no ensino médico

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Substituição do uso de animais na Itália chega a 71%
Fonte: InterNICHE

Na Itália, graças a uma situação judicial particularmente favorável, a abolição do uso de animais em experimentos didáticos chegou aos 71% das universidades (103 faculdades), onde métodos alternativos vêm sendo aplicados.

Gostaríamos de relatar a estratégia que viemos seguindo para alcançar este resultado, na esperança que nossa experiência possa ser útil em outros países. Em 12 de Outubro de 1993 o Parlamento Italiano aprovou uma lei (413/93) sobre "Objeção de Consciência no Uso de Animais". O artigo 1 desta lei afirma que:

"Cidadãos, em obediência à sua consciência, exercitando seu direito à liberdade de idéias, consciência, e religião, reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos; a Convenção pela Preservação dos Direitos da Humanidade e Liberdades Básicas; e o Pacto Internacional pelos Direitos Políticos e Civis, que se oponham à violência contra todas formas vivas, podem declarar sua objeção de consciência contra qualquer e todo ato relacionado à experimentação animal"

O uso de animais na educação é tratado no artigo 4:

"No início do ano acadêmico subsequente à data em que esta lei seja publicada, cursos que não envolvam atividades ou intervenções de experimentação animal devem ser ativados a crédito acadêmico integral"

Como consequência, dois problemas surgem:

1. A necessidade de diferente organização entre cursos, uma vez que cada curso que requeria o uso de animais seria dividido em duas partes: uma para as dissecções tradicionais ou o uso de animais, e a outra para os estudantes que declararam sua objeção e optam pelos métodos alternativos.

2. O custo de alguns dos métodos alternativos

Na prática, nós oferecemos aos professores uma lista de métodos. A lista foi adquirida, em geral, do livro "From Guinea Pig to Computer Mouse" (InterNICHE), de onde eles podiam escolher o material que precisariam; e criamos o fundo "Educação sem Animais" para comprar tais métodos. O fundo foi apoiado por algumas associações de direitos animais e alguns municípios italianos.

Como resultado, 103 faculdades científicas italianas (faculdades de Medicina e Cirurgia, Ciências Naturais, Física e Matemática, de Farmácia e de Medicina Veterinária) decidiram não mais utilizar animais para quaisquer finalidades educativas.

As declarações de algumas faculdades são particularmente interessantes:

  • "Os métodos alternativos são muito bons" (Universidade de Milão)
  • "Eles são próprios para as finalidades educativas, sem dúvida" (Universidade de Teramo)
  • "Realmente inovador" (Universidade de Parma)
  • "Moderno, de um bom nível científico, nos padrões europeus" (Universidade de Padova)
  • "É possível substituir o uso de animais por métodos alternativos" (Universidade de Modena)

Tudo isso foi possível devido à existência de uma lei garantindo o direito à objeção de consciência à vivissecção. Acreditamos que o exemplo de um alto percentual de instituições de ensino superior em um país desenvolvido estarem adotando métodos alternativos poderia ser útil em qualquer lugar para mostrar que declarar que o uso de animais é necessário não é mais possível.

Dra. Marina Berati
Yuri Bautta

Veja a lista de faculdades que não utilizam mais animais para finalidades educativas

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Denúncia na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
Fonte: Lista de Defesa Animal/Animalista

"Sou estudante de medicina veterinária da UFRPE e venho através deste e-mail fazer uma denúncia a respeito de uma barbaridade que ocorreu na ultima quinta-feira (14 de março) durante uma aula prática de patologia especial sob o comando do professor Mário ( Patologia especial )
e que deixou a maioria dos alunos do 6° período/manhã chocados.
No inicio da aula, só existiam animais congelados, impróprios para
estudo, então o professor Mário observou a existência de uma cadela vira-lata em um dos canis e perguntou ao funcionário "Batista" qual a procedência daquele
animal e porque ele estava ali, o funcionário respondeu que o animal havia
vindo do CVA (o que não é permitido segundo as normas da universidade) e
que não tinha nada (palavras ditas na frente de mais de 30 alunos), ou seja,
não havia motivos para o animal ser sacrificado (se a aula é de patologia o 
que vamos observar em um animal sadio?), então o professor mandou que Batista,
pessoa sem a menor técnica ou profissionalismo, aplica-se 20 mls de 
sulfato de magnésio IV na cadela e logo após colocou-a sobre a mesa, momentos 
antes de se iniciar a abertura das cavidades do animal, os alunos gritaram pois
ela ainda apresentava reflexos palpebrais e batimento cardíaco, o 
professor assustado com a situação pediu que o mesmo funcionário aplica-se mais 20 
mls do mesmo produto por via intra-cardíaca e, pasmem, após a aplicação o
ventre da cadela começou a se mexer, ela estava prenha, haviam quatro filhotes em
fase final de desenvolvimento que morreram com as aplicações do veneno.
Frente a esta atrocidade eu solicito ajuda para que a dignidade dos animais seja respeitada 
mesmo na hora de sua morte. Quaisquer dúvidas ou esclarecimentos é só procurar a turma do 6° período/manhã de veterinária da UFRPE.
O que não faltam são testemunhas!
Obrigado"

Para envio de e-mail a respeito do assunto, favor dirigir-se à diretoria do Departamento de Veterinária da UFRPE- dvm@ufrpe.br

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Universidade de Brasília (UnB) implementa método alternativo on-line
Fonte: Informativo Arca/Brasil

Alunos de Farmacologia Veterinária da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasilia (UnB) aprendem sobre ação e os
efeitos de diversas drogas nos animais com o programa Farmacologia Basica 
do Sistema Nervoso Autonomo por Simulação computadorizada do prof. Szulim 
Ber Zyngier, orientados pelo prof. Ricardo Titze desde 1998. Ele coordena a 
sala virtual - Medicina Veterinária, disponível no
http://uvnt.universidadevirtual.br/VET/entrada.htm   
que traz textos, casos clínicos e fóruns de discussão. Na universidade ha ainda  a proposta
intitulada UnB - "Projeto nota A em Bem-Estar Animal", que reúne as ações
realizadas para diminuir o número de animais em aulas práticas. Na USP 
também está aumentando as adesões a métodos alternativos e no depto. de 
Patologia da FMUZ estão desenvolvendo o rato mecânico, em fase de testes.
Nos EUA mais de 70% das universidades não utilizam mais animais vivos e 
na Alemanha nenhuma instituição o faz. As instituições interessadas em aplicar ensino sem dor podem agendar
palestras pelo e-mail: ensinosemdor@arcabrasil.org.br

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Denúncia expõe a crueldade de práticas de vivissecção na Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Fonte: Gazeta do Povo (06/06/2001)

Os 93 alunos de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da 
disciplina de Técnica Cirúrgica, estão com as aulas suspensas desde 
segunda-feira. A paralisação se deu após um atentado contra o setor, que 
utiliza cães para a prática da matéria. Na madrugada de quinta para 
sexta-feira da semana passada, alguém invadiu o Instituto de Pesquisa Egas 
Penteado Izique, no Hospital das Clínicas (HC), lugar onde os ANIMAIS são 
mantidos, soltou os que estavam vivos, abriu os recipientes que mantinham os 
mortos e fez uma pilha com os corpos dos cachorros na porta da sala.

"Dou aulas há 24 anos, foi a primeira vez que vi algo tão agressivo", diz a 
coordenadora de Técnica Cirúrgica, professora Maria de Lurdes Biondo Simões. 
Ela suspendeu as aulas até que a universidade providencie vigilância 
constante para o lugar. Apesar da paralisação, Maria de Lurdes garante que 
os alunos não serão prejudicados. "Já conversei com a turma, tudo que for 
perdido será reposto." O setor utiliza em média 21 ANIMAIS por semana para 
as aulas. São cachorros de rua ou abandonados, recolhidos no Canil 
Municipal.

A professora afirma que os cães recebem todo o tratamento indicado pelas 
normas federais do Ministério da Educação, que prevê o uso dos ANIMAIS para 
a prática de certas matérias no curso de Medicina – nenhum vai para a mesa 
de cirurgia sem estar devidamente anestesiado. "Antes de iniciar a 
disciplina ensinamos ética aos estudantes, para que respeitem e tratem os 
cachorros com dignidade." A professora reforça a necessidade da prática com 
os ANIMAIS como requisito básico na formação dos futuros profissionais de 
Medicina. "Ninguém está na aula para maltratar os bichos, poupamos os 
ANIMAIS ao máximo." Um relatório sobre o incidente foi encaminhado à 
Consultoria e Procuradoria Jurídica da UFPR, que vai investigar o caso e 
apurar os possíveis responsáveis.

O atentado aconteceu quatro dias depois de uma visita da Delegacia do Meio 
Ambiente ao setor. O delegado adjunto Naylor Robert de Lima explica que 
recebeu a notícia de que os cães estariam sendo mau tratados e mandou uma 
equipe de investigadores para averiguar a situação. A denúncia de maus 
tratos, de acordo com o delegado, foi feita por vizinhos do hospital. "A 
princípio não verificamos nada irregular no local", adianta Lima. O caso 
será definido em uma audiência pública marcada para 10 de julho, no Juizado 
de Causas Especiais. Os autores da denúncia e os professores responsáveis 
pela disciplina, Maria de Lurdes Biondo Simões e Celso Fernando Ribeiro de 
Araújo, vão prestar esclarecimentos. A pena para o crime de maus tratos, 
prevista no artigo 32 da Legislação Ambiental, varia de 3 meses a 1 ano de 
prisão, além de multa definida em juízo.

ACUSAÇÕES
Estudantes negam ação

Um dos representantes da turma de alunos de Medicina prejudicada pelo 
incidente, o estudante Anderson Marcelo Winkler, afirma que os cães usados 
nas aulas não são maltratados. "Precisamos da disciplina, não há como 
aprender técnica de cirurgia praticando em uma casca de árvore." Hoje, os 
alunos fariam uma prova prática de Técnica Cirúrgica – a última antes do fim 
do semestre. A avaliação provavelmente vai ficar para depois das férias de 
julho.

A reportagem recebeu na segunda-feira a denúncia de que a ONG Clube das 
Pulgas estaria envolvida nas denúncias sobre maus tratos durante as aulas e 
no incidente de semana passada no Hospital das Clínicas. A presidente da 
ONG, Rosana Vicente Gnipper, garante que a entidade não participou da ação, 
nem oficializou a denúncia. "Apoiamos as pessoas que entraram com a acusação 
de maus tratos, mas não fomos responsáveis por nenhum tipo de atentado no 
hospital." Apesar disso, ela conta que a ONG está empenhada na causa que 
pede o fim da vivissecção – o uso de animais para estudo de práticas 
cirúrgicas. "Estamos ao lado de todos os que são contrários a essa 
atividade."

Ação similar à esta aconteceu na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mais informações podem ser obtidas no site: www.geocities.com/RainForest/Vines/5011/vivisseccao.html

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