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Simulador ajuda a treinar novos
médicos.
Médicos recém-formados e alunos de medicina podem fazer treinamentos de
cirurgias virtuais, mas sentindo tudo que acontece no mundo real.
Bom Dia Brasil,
29/06/09
Em São Paulo, médicos recém-formados e alunos de medicina ganharam a
ajuda de um aparelho de última geração para treinar procedimentos
cirúrgicos. Será possível fazer treinamentos desde técnicas de
ressuscitação até cirurgias mais complexas.Por causa do custo, esses
aparelhos só eram encontrados em hospitais particulares de grande porte.
Agora, chegam à Santa Casa, de São Paulo, e vão beneficiar pacientes da
rede pública.
No monitor, os sinais vitais do paciente apontam uma emergência: “Uma
parada cardíaca. Preciso que vocês se posicionem para tratar dessa
criança”, explica o médico.O boneco reage de acordo com as intervenções
dos médicos.
“Com exame clínico e esse monitor vocês sabem exatamente o que está
acontecendo com a criança”, completa o professor.
Os equipamentos treinam os médicos que se veem diante de desafios muito
parecidos com os que fazem parte do dia a dia de um hospital. Os
aparelhos conseguem reproduzir de maneira muito fiel as situações que
serão enfrentadas futuramente. Em um, por exemplo, o residente pode
fazer uma cirurgia virtual, mas as sensações que ele vai ter são de uma
operação real.
“A sensação é de extremo realismo. Você sente quando uma pinça bate na
outra, quando a maquina te dá uma resistência na mão”, diz o residente
César Augusto Juliano.
Aqui, o erro não oferece risco.
“Ele demonstrou que estava com sangramento grave e entrou em choque.
Felizmente era uma simulação. Não houve risco para ninguém”, mostra o
coordenador do centro de ensino Dércio de Campos.
Quando a técnica é menos invasiva para o paciente, exige mais
habilidade. Os mais experientes garantem: essas horas diante da máquina
trazem mais segurança.
“Antes o instrutor pegava na mão do residente para explicá-lo como eram
os movimentos no aparelho e fazia o procedimento junto. Desse modo, o
residente tem condições de chegar mais tranquilo para fazer uma
endoscopia no doente”, diz Dércio de Campos.
“Evitamos que os primeiros procedimentos sejam feitos nos nossos
doentes, consequentemente ao médico, mesmo na fase inicial da carreira,
adotar um procedimento em paciente já faz com conhecimento e segurança,
de tal maneira que paciente sai beneficiado”, comenta o diretor do curso
de Medicina da Santa Casa Luiz Arnaldo Szutai.
Hoje, para poder treinar, os médicos usam animais. Um tipo de prática
que é cada vez mais condenada no mundo inteiro. Por isso, equipamentos
como esse da Santa Casa se tornam cada vez mais importantes. As máquinas
também são capazes de transmitir sensações táteis. Ou seja, o médico
sente como se estivesse tocando um paciente.
Veja o vídeo
aqui.
Entrevista com a ex-BBB Ana
Carolina Madeira, que concluiu seu curso de Direito com um trabalho
sobre objeção de consciência.
InternicheBrasil, 23 de junho de 2009
Quem
conheceu a Ana através do Big Brother Brasil 9 talvez desconheça um lado
que não ficou evidenciado em sua participação neste reality show. Ana
Carolina Madeira dissertou sobre a objeção de consciência no curso de
Direito, e agora, além de uma celebridade global, pode passar a ser
conhecida também como "Madeira, A.C. (2008)". Seu trabalho, bastante
completo diga-se de passagem, apela para a conscientização e luta dos
estudantes pela liberdade de consciência. Os cursos de veterinária que
se cuidem, pois ela chegará armada de conhecimento. A InternicheBrasil
conseguiu conversar com esta simpática pessoa, e disponibilizar, além de
suas próprias palavras sobre o assunto, seu trabalho, que pode ser usado
como referência a partir de agora.
Clique aqui para conhecer a
monografia de Madeira.
Conte-nos
um pouco de como chegou a objeção de consciência como tema de
monografia.
Ana Carolina: No início da escolha de um tema para minha
monografia tinha o seguinte pensamento: quero finalizar o curso de
direito contribuindo de alguma maneira com a ajuda aos animais. Todos
aqueles que me conhecem sabem do amor que sinto pelos bichos, sendo eles
cachorros, gatos, cavalos, animais silvestres ou qualquer outra espécie.
Durante a faculdade, ao elaborar um trabalho de filosofia de direito, o
professor sugeriu que eu fichasse o capítulo do livro: “Ética Prática”
de Peter Singer relacionado aos animais. A partir desse momento que eu
comecei a me interessar sobre a experimentação animal, tendo em vista
que, eu, uma guria extremamente vaidosa, amantes de cosméticos, que
sonha em fazer veterinária, não podia ficar inerte a crueldade que
estava acontecendo com os animais nos laboratórios.
É por esse motivo que minha escolha não poderia ter sido diferente: meu
tema precisava ser relacionado a minha maior paixão, os animais. Comecei
a pesquisar empresas que faziam experimentação e a descobrir quais
lugares praticavam essa barbárie. Foi uma longa pesquisa que durou
aproximadamente um ano e meio. Entretanto, ainda faltava uma ligação
entre a veterinária e o direito. Ao ler o livro “Alternativas ao uso de
animais vivos na educação”, de Sergio Greif, encontrei a ligação que
faltava, já que ele menciona a objeção de consciência. De qualquer modo,
devido a dificuldade de informações sobre o assunto escolhido, as
pesquisas não se limitaram em poucas referências, mas mesmo com as
dificuldades, o resultado obtido no final do estudo escolhido - “O
direito de objeção de consciência na experimentação animal: uma
controvérsia no mundo cientifico” - foi um sucesso.
Porque acha importante que a área do direito se
envolva nesta temática?
Ana Carolina: Por que é através da discussão exaustiva sobre esse
tema que as pessoas vão tomando consciência que de tem que lutar pelo
seu direito fundamental da liberdade de consciência, que é o direito do
individuo poder agir de acordo com a sua conduta moral. E só assim esse
conflito entre o dever legal e moral pode ser solucionado.
Alguns estudantes vêm recebendo da justiça
parecer favorável sobre seus pedidos de objeção de consciência, como no
caso do estudante Róber Bachinski (UFRGS) e Juliana Itabaiana (UFRJ). Ao
que acha que se deve essa abertura da justiça em relação ao
reconhecimento deste direito?
Ana Carolina: O reconhecimento deste direito deve-se a intensa
luta dos protetores de animais, pois é através delas que a sociedade
começa a entender a tamanha crueldade que os animais são tratados dentro
dos laboratórios das universidades.
Que recado daria para estudantes que não querem
utilizar animais nas aulas práticas?
Ana Carolina: Lutem pela liberdade de consciência. Por mais que
existam impedimentos: não desistam. Não será um caminho fácil, mas vale
a pena lutar por aquilo que se acredita. Não há recompensa maior que
concluir o curso dos seus sonhos com a consciência limpa e sabendo que
não somente o seu direito foi respeitado, mas também que tu respeitaste
os milhares de animais que deixou de matar. Afinal, vocês estão
estudando para aprender a salvar vidas e não para torturar e matar em
laboratórios.
Entrevista com a estudante de ciências biológicas
Juliana Itabaiana, que recentemente teve seu pedido de objeção de
consciência deferido pela justiça, no Rio de Janeiro.
InternicheBrasil, 26 de maio de 2009
A
estudante Juliana Itabaiana de Oliveira Xavier, de 23 anos, conseguiu
recentemente na justiça o direito de não assistir aulas experimentais
com animais. Seu caso está tendo uma grande repercussão no Brasil,
levantando a questão da objeção de consciência como instrumento de
defesa dos direitos estudantis e, indiretamente, dos animais. A liminar
foi concedida no dia 6 de maio pelo juiz Andriano Saldanha Gomes de
Oliveira, da 11ª Vara Federal do Rio de Janeiro [leia
a cópia da decisão]. Juliana, que é estudante de ciências
biológicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é também
vegetariana, e logo que entrou na universidade fez um requerimento
pedindo dispensa das aulas de zoologia, e teve seu pedido negado pela
UFRJ. O caso será analisado pelo Conselho de Ensino e Graduação e pela
Procuradoria Geral da instituição.
Confira, com exclusividade, a entrevista que a InternicheBrasil fez
com a estudante:
IN: O que primeiramente a motivou a recusar
as práticas com animais?
Juliana: O que me fez recusar essas práticas foi o
entendimento de que não é preciso matar para estudar. Na minha
universidade não existem aulas de vivissecção, o que acontece são
dissecações para o estudo de anatomia. Não temos aquelas aulas
clássicas de fisiologia, em que os animais são abertos vivos. No
entanto, não concordo que a cada semestre mais e mais animais tenham
que ser mortos para que possamos aprender anatomia.
IN: Na sua opinião, o estudante precisa ser
vegetariano para não concordar com tais práticas?
Juliana: Não acho que seja uma necessidade. Acho que é
possível que o estudante se sensibilize com as aulas sem que tenha
refletido previamente sobre o assunto. Apesar de que, todos que
conheci que não gostavam e que não participavam das práticas por
esse motivo, eram vegetarianos.
IN: Como você tomou conhecimento do recurso
da objeção de consciência e como você procedeu com seu pedido?
Juliana: Na verdade eu já conhecia esse recurso antes de
entrar para universidade. Comecei a pesquisar sobre esse tema logo
que me tornei vegetariana (há dois anos e meio), depois de assistir
ao documentário "Terráqueos". Ao longo do primeiro período eu
simplesmente conversava com os professores e nenhum deles se opôs
fortemente, alguns discordavam, conversavam comigo, mas todos foram
compreensivos e não me obrigaram a participar das aulas. Mas no
segundo período tive um professor bastante categórico, que se negou
a me dispensar das práticas. Então abri um processo administrativo,
que foi negado no inicio desse ano, quando começava o terceiro
período. Foi mais ou menos nessa época que conheci o Róber [Bachinski,
estudante de biologia da UFRGS que obteve sucesso numa ação
ordinária contra a universidade por negarem seu pedido de objeção],
pois ele estava no Rio fazendo um estágio. E foi ele que me deu
força para buscar um advogado e entrar com a ação.
IN: Qual foi a postura inicial da
universidade, e qual sua opinião sobre ela?
Juliana: A postura da universidade foi de negar o processo
administrativo que foi aberto inicialmente. No entendimento deles eu
estou na profissão errada. Mas acho um enorme contrasenso que
pessoas que gostem de animais não possam cursar biologia.
IN: Como tem sido a repercussão entre seus
colegas na biologia? E entre professores, algum apoio ou crítica?
Juliana: Entre os colegas acho que a repercussão têm sido
boa. Apesar da grande maioria não concordar, percebo que eles estão
abertos ao debate, e eu já considero isso um avanço. Já entre os
professores encontro maior resistência. Mas espero que com o tempo
as pessoas vão compreendendo melhor e percebendo que existem
maneiras tão eficientes de passar o conhecimento quanto a
tradicional, e que não impliquem em mortes desnecessárias.
IN: Como você está percebendo a repercussão
que seu caso está tendo?
Juliana: Até agora acho que tem sido uma repercussão
positiva. Houveram algumas distorções na mídia, mas nada de grande
relevância. Acho que, no geral, tem servido para gerar o debate, e a
sociedade precisa urgentemente debates esses temas e repensá-los.
IN: Algum recado para estudantes que possam
estar na mesma situação que você?
Juliana: O único recado é pedir coragem: coragem para agir!
Muitas pessoas ficam com medo de possíveis represálias de colegas e
professores, e por isso não tomam nenhuma atitude. Alguns faltam as
aulas de dissecção/vivissecção sem cobrar métodos substitutivos.
Essa não é a postura correta. É preciso ter coragem para mudar esse
paradigma.
IN: Pensa em desenvolver alguma pesquisa
relacionada ao uso de animais?
Juliana: Sim. Estou buscando um professor para me orientar e espero
que até semestre que vem eu já tenha iniciado meu projeto em métodos
substitutivos ao uso de animais em ensino e ciência.
Leia mais sobre a
objeção de consciência!
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CÓPIA DA DECISÃO JUDICIAL
Data da publicação: 06/05/2009
Jornal: Diário Oficial do Rio de Janeiro
Caderno: Diário Oficial do Rio de Janeiro - Poder Judiciário - Seção I
Federal
Página: 00021
Local: Justiça Federal. Varas Federais da Capital. VARAS CÍVEIS
11ª VARA FEDERAL. 11ª Vara Federal do Rio de Janeiro
Publicação: Boletim n.º 2009 000281. Expediente do dia 04/05/2009. FICAM
INTIMADAS AS PARTES E SEUS ADVOGADOS DAS SENTENCAS/DECISOES/ DESPACHOS
NOS AUTOS ABAIXO RELACIONADOS PROFERIDOS PELO MM. JUIZ FEDERAL ADRIANO
SALDANHA GOMES DE OLIVEIRA.
Processo n.º 2009.51.01.009236- 6. JULIANA ITABAIANA DE OLIVEIRA XAVIER
(Adv. DANIEL BRAGA LOURENCO) x UFRJ-UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE
JANEIRO.
DECISAO
JULIANA ITABAIANA DE OLIVEIRA XAVIER propõe ação sob o rito ordinário em
face de UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ em que requer a
concessão de tutela antecipada que determine a ré que efetive sua
inscrição na disciplina "ZOO III" e nas disciplinas supervenientes a que
vier ascender pelas aprovações no curso, sendo-lhe assegurada a dispensa
das aulas praticas que façam uso de animais, inclusive nas atividades de
pesquisa de campo que envolvam lesão ou sacrifício de animais,
adotando-se, em substituição, método alternativo de avaliação da
demandante para fins de aprovação. Procuração e documentos as fls.
33/258. E o relatório. Decido. A pratica de vivisseção com finalidade
anatômica e reprovável, embora essa afirmação não conduza
necessariamente à existência de crime ambiental. De todo modo, o que
parece fora de duvida e que o inciso VIII do art. 5º da CRFB assegura a
liberdade de convicção filosófica, não sendo possível, por forca desta
disposição, que a ré obrigue a Autora a participar de tais praticas em
oposição a sua convicção filosófica, se ela opta por realizar o
respectivo aprendizado anatômico por método alternativo. Isto posto,
ressalvada a obrigação de a Autora realizar aulas ou avaliações praticas
de vivisseção somente quando estas tiverem finalidade preponderantemente
curativa, defiro a liminar nos termos requeridos na alínea "a" do
parágrafo 97 (fl. 28). Intime-se a ré para cumprimento. Cite-se.
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